Lição 03
Elementos do prompt
Prompt elements
Separe as partes do prompt. A ferramenta lê o que está escrito. O que ficou implícito vira variação.
Nesta lição
O que é
Um prompt útil parece um formulário, não um parágrafo. É o texto que você manda para a ferramenta, não o ticket do cliente.
Você dá nome a cada caixa. A ferramenta — e a próxima pessoa do time — enxerga o que é instrução e o que é o caso de hoje.
As seis caixas que mais faltam:
- Objetivo. O que entra e o que deve sair.
- Contexto. O mínimo para não inventar o cenário. Produto, público, regra. Não a história da empresa.
- Entrada. O texto desta vez: o e-mail, a ata, a mensagem do cliente. Separe da instrução para reusar o mesmo molde amanhã.
- Restrições. O que não pode inventar, o que não pode alterar, o que exige aprovação.
- Formato. Como a resposta deve aparecer. Campos, ordem, idioma. Se pode haver prosa além da lista.
- Critério. O teste em uma ou duas frases. Não é “seja bom”. É “outra pessoa consegue abrir o card certo”.
Os rótulos importam. “OBJETIVO” e “ENTRADA” não são frescura. Ferramentas e pessoas se perdem quando a regra e o dado estão no mesmo bloco. Um relato de erro no meio da frase vira instrução. Uma lista colada sem cerca vira conversa.
Você não precisa de formato especial em todo chat. Precisa de fronteiras. Títulos em maiúsculas bastam. A forma segue o canal. As caixas não.
Por que importa
A maior parte do “a IA não entendeu” é caixa vazia, não ferramenta fraca.
Sem entrada separada, você não testa o mesmo prompt com outro caso. O chat vira uma conversa que ninguém reproduz.
Sem formato, cada execução inventa um layout. O time começa a “dar uma arrumada” na mão. Sinal de que o prompt ainda não dá para repetir.
Sem restrição, a ferramenta preenche o vazio com iniciativa. Iniciativa é ótima para brainstorm. É péssima para classificar mensagem, falar de dinheiro ou escrever e-mail para cliente.
Sem critério, ninguém sabe se o prompt melhorou. A discussão vira gosto. Gosto não escala.
No produto, as caixas também ensinam o time. Você versiona o molde e troca só a entrada. Mostra ao jurídico o que o assistente não pode dizer. Ensina um analista novo sem sentar ao lado.
Um exemplo da Clínica
A caixa de entrada mistura três coisas. O cliente reclamou. Fez uma pergunta de uso. Ou pediu uma funcionalidade nova.
Se o prompt for “classifica isso”, a ferramenta oscila. “Não consigo ver a fatura” pode ser um erro, uma dúvida de senha ou um campo que nunca existiu.
O molde com caixas deixa a dúvida visível, em vez de escondê-la numa resposta confiante:
- Objetivo: um tipo. Se faltar dado, diga que falta.
- Contexto: quem escreve é o cliente. Prazo e causa não são trabalho desta etapa.
- Entrada: a mensagem crua. Sem o comentário interno misturado.
- Restrições: não inventar o que a pessoa tentou. Não sugerir data.
- Formato: tipo, uma frase, e se precisa de pergunta de volta.
- Critério: outra pessoa sabe se responde, se pergunta ou se abre um card.
Quando a mensagem vem sem “o que eu cliquei”, a saída honesta é “falta informação” mais uma pergunta. Isso parece menos inteligente numa demonstração. No dia a dia, evita uma semana no lugar errado.
O mesmo desenho vale para resumir reunião. Objetivo. Quem estava. O texto desta ata. O que não inventar. Formato: três decisões e um próximo passo. Critério: quem não foi à reunião consegue agir.
Sem essas caixas, a ferramenta “ajuda” inventando um prazo que ninguém combinou.
O que fazer amanhã
Pegue um trabalho que você repete. Responder cliente. Resumir reunião. Rascunhar a pauta da semana.
Transforme-o num molde com os seis nomes. Deixe a entrada como um buraco óbvio, para colar o e-mail ou a ata.
Rode três casos reais:
- um fácil;
- um sem informação;
- um que parece uma coisa e é outra.
Se o formato quebrar, feche o formato antes de acrescentar exemplo. Se a ferramenta inventar prazo no caso 2, a restrição ainda não está escrita — ou não está no lugar em que ela lê.
Guarde o molde num documento. O histórico do chat some.
O que evitar
Não empilhe dez cargos. “Você é vendedor, jurídico e o dono.” Um objetivo por vez. Se precisar dos três papéis, faça três prompts.
Não esconda o e-mail no meio da história da empresa. “Segue a mensagem, mas antes o contexto do produto…” apaga a fronteira.
Não peça “lista se possível”. Se outra pessoa vai usar a resposta, diga os títulos. Se só você vai ler, diga o tamanho.
Não use o critério “responda como um profissional”. Profissional de quê, para quem, com qual risco? Troque por um teste: o comercial envia sem te perguntar.
Não copie exercícios de aula com sentimento, frutas ou jogos. A sua entrada é um e-mail, uma ata, uma mensagem de cliente. É isso que o molde precisa carregar.
Prompt para copiar
Use amanhã
OBJETIVO
Dizer se a mensagem abaixo é reclamação, dúvida de uso ou pedido novo.
CONTEXTO
Quem escreve é o cliente. Não o time. Não prometemos prazo neste canal.
ENTRADA
[cole a mensagem]
RESTRIÇÕES
Não invente o que a pessoa tentou fazer. Não sugira data. Se faltar informação, diga que falta.
FORMATO
tipo: reclamação | dúvida | pedido novo | falta informação
justificativa: uma frase
pergunta de volta: vazia ou uma pergunta objetiva
CRITÉRIO
Outra pessoa, só com essa saída, sabe se responde, se pergunta ou se abre um card.