Lição 04
Dicas gerais
General tips
Teste com casos reais. Guarde o que falhou. Não cole uma pasta de prompts da moda no seu produto.
Nesta lição
O que é
As dicas gerais não são truques. São o jeito de trabalhar de quem trata o prompt — o texto para a ferramenta — como software.
Comece pelo mais simples que pode funcionar. Olhe o resultado contra um combinado. Só então acrescente complexidade.
Na prática, cinco hábitos:
- Uma mudança por vez. Ou você aperta o critério, ou troca a ferramenta, ou acrescenta um exemplo. Os três juntos viram história. Ninguém sabe o que funcionou.
- Casos reais, não frases bonitas. O teste é o e-mail ambíguo, a ata incompleta, a mensagem que mistura reclamação e pedido. Demonstração com texto limpo não prevê a terça-feira.
- Permissão para recusar. “Não sei”, “falta dado”, “isso precisa de aprovação” são respostas de qualidade. Uma ferramenta que sempre entrega parece competente e cria incidente.
- Memória fora do chat. O que funcionou vira molde com versão. O que falhou vira caso de teste. O histórico do produto não pode viver só na conversa.
- Complexidade sob demanda. Exemplos, ferramentas e fluxos em etapas existem para quando o simples falha de um jeito específico. Não são o ponto de partida.
Isso vale para o fundador no chat do dia a dia e para o time que vai responder o cliente no WhatsApp. A escala muda. O hábito não.
Por que importa
Sem esse jeito de trabalhar, o guia vira um cardápio de nomes em inglês. A pessoa lê um rótulo da moda e aplica no problema errado. Custo sobe. Confiança cai. A próxima reunião decide que “IA não funciona aqui”.
O outro extremo também quebra: achar que um único prompt perfeito, copiado de uma thread, resolve o produto. Prompts envelhecem. Ferramentas mudam. O caso estranho de terça não estava no exemplo de segunda.
Para gestão, as dicas forçam três perguntas chatas e úteis. O que medimos? O que mudou? O que ainda falha?
Sem isso, cada pessoa do time tem o seu feitiço. Nenhum vira processo.
Um exemplo da Clínica
O primeiro rascunho para o cliente inventa um prazo. “Entregamos na sexta.” Ninguém combinou sexta. O comercial quase enviou.
A segunda tentativa não acrescenta um nome em inglês. Acrescenta o hábito:
- Critério visível: se não houver data, o texto diz que não há data.
- Fora de escopo: não ofereça desconto. Não peça desculpas em nome de outra pessoa.
- O que deu errado da última vez: inventou sexta.
- Uma mudança: só o critério e a restrição. O mesmo chat.
Rode de novo com a mensagem que pede data. A saída esperada é “ainda não temos prazo neste canal.” Se ainda falhar, aí sim acrescente um exemplo do caso. A ordem importa. Técnica sem falha observada é enfeite.
Outro caso. Você pediu “escreve a proposta comercial” e a ferramenta inventou preço. Em vez de um prompt maior com “seja honesto”, você cola o que deu errado e o teto: “não invente valor; se faltar número, deixe em branco.” Isso é mais curto do que uma pasta de tom de voz.
O que fazer amanhã
Junte três mensagens reais que já deram problema. E-mail que inventou prazo. Resumo que esqueceu a decisão. Resposta que soou bem e prometeu demais.
Para cada uma, anote: o que você pediu, o que saiu errado, o que seria aceitável. Amanhã, mude uma coisa — em geral o critério ou o fora de escopo — e rode as três. Se duas melhorarem e uma piorar, você viu o custo da mudança. Isso já é teste. Não precisa de laboratório.
No próximo prompt, comece com “O que deu errado da última vez”. Ferramentas repetem o erro quando o erro não entra no texto.
Se o trabalho for responder cliente sozinho, escreva também o que ele deve recusar. Teste a recusa de propósito. Uma ferramenta que nunca diz não ainda não foi testada.
O que evitar
Não colecione prompts virais. Pasta sem caso real é decoração. O que vai para o cliente precisa de dono e de um teste.
Não comece por assistente ou “pense em árvore” porque o mapa do guia lista esses nomes. O mapa é ordem de aprendizado, não ordem de implementação. Um prompt simples resolve a maior parte do que um time chama de “problema de IA”.
Não avalie só com “gostei?”. Gosto é útil para tom. Não chega para prometer prazo ou mexer com dinheiro.
Não esconda falha. Se a ferramenta inventou um preço, esse caso entra na caixa. Prompt que só vê o caminho feliz quebra no primeiro cliente impaciente.
Não mude o chat no mesmo dia em que reescreve o prompt e acrescenta três exemplos. Você vai atribuir a vitória ao feitiço errado e repetir o custo no próximo trimestre.
Prompt para copiar
Use amanhã
Este prompt já falhou uma vez. Não repita o erro.
Objetivo: responder o cliente sem inventar prazo.
Fora de escopo: não ofereça desconto, não peça desculpas em nome de outra pessoa.
O que deu errado da última vez:
[FALHA_OBSERVADA]
Como saber que prestou nesta tentativa:
o comercial envia sem te perguntar; se não houver data, o texto diz que não há data.
Se não puder cumprir, pare e diga o que falta. Não invente sucesso.