Lição 01

Configuração do modelo

LLM settings

Trocar de ferramenta ou de ritmo costuma valer mais do que inventar uma frase mágica.

Nesta lição

O que é

Antes de escrever o prompt — o texto que você manda para a ferramenta — escolha quem vai fazer o trabalho.

É o mesmo gesto de mandar um recado para um estagiário rápido ou para um especialista caro. O texto descreve a tarefa. A configuração escolhe a pessoa e o ritmo.

Na prática, você decide quatro coisas:

  • Qual ferramenta. A mais simples resolve rascunhar um e-mail com formato fixo ou separar “reclamação / dúvida / pedido novo”. A mais capaz entra quando o erro custa gente: decidir um corte, revisar um plano, julgar uma regra ambígua.
  • Quanto ela pode pensar. Alguns chats têm um modo de “pensar mais”. Isso aumenta a espera e a conta. Use quando a tarefa tem etapas. Não use para copiar três campos de uma lista para outra.
  • O quanto a resposta pode variar. Em tutorial isso aparece como “temperatura”. Número alto deixa a ferramenta mais solta. Para classificar, extrair dado ou preencher checklist, peça variação baixa. Para inventar nomes de funcionalidade, pode soltar um pouco. “0,7 porque vi num tweet” não é regra de empresa.
  • Onde a resposta para. Se você precisa de três campos, não deixe a ferramenta escrever um ensaio.

A configuração não salva um prompt vago. Prompt vago numa ferramenta cara continua vago. Só fica mais caro.

Por que importa

Você paga de três jeitos: dinheiro, espera e retrabalho.

A tentação é “melhorar o texto” quando o problema é outro. A ferramenta errada está tentando adivinhar uma tarefa simples. Ou a ferramenta certa está no modo mais preguiçoso possível.

Isso aparece assim no dia a dia:

  • A classificação do e-mail oscila entre “dúvida” e “pedido novo” porque a variação está alta demais para três rótulos.
  • A decisão de “faz agora ou depois” vem rasa porque o time usou o chat barato e cobrou um parecer de plano.
  • A ferramenta “pensa” três minutos para preencher três campos. A pessoa acha que ela é lenta. Alguém ligou o modo pesado no lugar errado.

Há um segundo motivo. Se ninguém anota qual ferramenta usou, e quando, a conversa boa de ontem some. Amanhã o fornecedor muda o padrão. O resultado muda. Ninguém sabe por quê.

Um exemplo da Clínica

Você abre o mesmo chat para dois trabalhos. Eles não pedem a mesma ferramenta.

O primeiro: responder a Ana, que cobrou o atraso. Aqui cabe a opção do dia a dia, sem “pensar mais”. Variação baixa. Se você não tiver data, a resposta permitida é “ainda não temos data”, não um palpite educado. Cinco linhas. Sem prazo inventado.

O segundo: decidir se o produto pago sai neste trimestre ou no próximo. Aqui cabe mais tempo de pensamento, se o chat tiver o botão. O prompt ainda é específico: caixa, o que não pode quebrar, o que significa “vale a pena agora”. Trocar só o texto, e manter a ferramenta da resposta à Ana, costuma produzir um parágrafo confiante e pouco útil.

A lição não é “sempre a opção mais cara”. É separar o trabalho. Responder cliente e decidir um corte não compartilham a mesma configuração só porque os dois passam pelo ChatGPT.

O que fazer amanhã

Anote três coisas que você já pede à ferramenta:

  1. O trabalho. E-mail para cliente. Resumo de reunião. Decisão de “faz agora ou depois”.
  2. Qual chat você usa e se ligou o modo de pensar mais.
  3. O que “prestou” significa numa frase. Deu para enviar sem editar. Cabeu no slide. Deu para decidir.

Pegue o último e-mail que a ferramenta rascunhou. Rode de novo com variação baixa. Se o texto inventar prazo ou tom, o problema não é falta de criatividade. Se a decisão vier rasa, aí sim teste uma ferramenta maior — com o mesmo prompt, para saber o que mudou.

O que evitar

Não use a ferramenta mais cara para tudo. Responder “obrigado, recebi” não precisa do modo pesado. A conta some no cartão e volta no mês.

Não copie “temperatura 0,7” de um post. Esse número não é regra da sua empresa.

Não peça “pense passo a passo” por hábito. Em vários chats atuais isso não ajuda. Escolher a ferramenta certa e dizer como vai saber que prestou resolve mais.

Não mude o chat, o ritmo e o texto ao mesmo tempo. Você não vai saber o que funcionou.

Não deixe a escolha só na cabeça. Se o texto vai para cliente ou para o time, anote qual ferramenta usou. Amanhã o padrão muda e ninguém lembra por que o tom mudou.

Prompt para copiar

Use amanhã

Trabalho: responder o cliente Ana sobre o atraso da entrega.

Ferramenta: a do dia a dia, sem modo "pensar mais".
Variação: baixa. Não invente prazo, desconto nem desculpa nova.

Se eu não tiver data, diga que ainda não temos data e o que falta para ter.
Formato: até cinco linhas, tom direto, sem emojis.