Lição 02
Básico de prompting
Prompting basics
Trate o prompt como uma ordem de serviço: o que fazer, com o quê, o que não fazer e como saber se prestou.
Nesta lição
O que é
Prompt é o texto que você escreve para a ferramenta. O recado no ChatGPT ou no Claude. Não traduzimos para “pedido”: no negócio, pedido já é encomenda, ticket do cliente ou pedido de mudança.
Escrever um prompt bom é o contrário de telepatia. Você já faz isso com gente. Diz o que quer, o que a pessoa precisa saber, o que não pode acontecer e como vai aceitar o serviço. Com o chat, o hábito quebra. A conversa fica curta demais.
Prompting, no sentido que interessa aqui, é só esse ofício: deixar quatro acordos visíveis no texto.
- Objetivo. O que deve existir no fim. Não “melhora isso”. “Responde a Ana sobre o atraso, em até cinco linhas.”
- Contexto. O que a ferramenta não vai adivinhar: cliente, prazo combinado, o que já foi tentado.
- Restrições. O que não pode acontecer. O fora de escopo vale tanto quanto o desejo.
- Como saber que prestou. Uma frase que outra pessoa, que não estava no chat, consiga usar para dizer sim ou não.
Quando os quatro estão no prompt, a ferramenta para de improvisar o cargo, o tom e a definição de “pronto”. Quando faltam, ela completa com palpite. Palpite bem escrito é o erro que passa em reunião.
Pense numa ordem de serviço. Você não mandaria um encanador “dar uma olhada na casa”. Mandaria o endereço, o que está vazando, o que já foi aberto, o que não pode molhar e como você vai aceitar o serviço.
Por que importa
Pessoas de negócio já sabem pedir trabalho a gente. O que quebra com o chat é a linha única. Um “você entendeu, né?”. Um print sem o combinado.
No dia a dia isso tem preço:
- A ferramenta “organiza a pauta” e inventa um horário que ninguém combinou.
- A resposta ao cliente promete prazo. O prazo não existe. O contexto era o e-mail, não o combinado.
- O time discute o tom do texto. O problema era outro: ninguém disse o que “bom” significava.
Há um efeito de gestão também. Pedido vago transfere a decisão para a ferramenta. A ferramenta não assina o risco. Quem assina é você.
Quanto mais o prompt parecer um encanto, mais difícil fica olhar depois. Não há versão. Não há teste. Não há como dizer se a falha foi da ferramenta ou da encomenda.
O básico não é “falar direito com a IA”. É recusar trabalho invisível. Se você não consegue colar o prompt num card e outra pessoa executar o mesmo, ele ainda não está pronto para virar processo.
Um exemplo da Clínica
Um fundador cola no chat: “Melhora esse e-mail.”
A ferramenta tem boa vontade. Muda o tom. Encurta o começo. Inventa uma data de entrega. Oferece desconto que ninguém aprovou. O comercial lê e pergunta: “A gente combinou isso?”
O mesmo trabalho, como ordem de serviço, cabe em quatro linhas:
- Objetivo: responder a Ana sobre o atraso.
- Contexto: combinamos 10 de agosto. Hoje é 18. A peça ainda está com o fornecedor. Ana já cobrou uma vez.
- Fora de escopo: não invente data. Não ofereça desconto. Não peça desculpas em nome de outra pessoa.
- Sucesso: o comercial envia sem te perguntar o que você quis dizer.
A segunda versão não é mais “criativa”. É enviável. A ferramenta ainda pode errar. Ferramentas erram. Mas o erro fica visível: inventou prazo, ou não; coube em cinco linhas, ou não.
Sem isso, as técnicas da próxima etapa só aceleram o retrabalho. Você ganha um texto bonito e uma conversa pior com o cliente.
Outro caso. “Escreve as histórias do módulo de exportação” produz um romance. “Lista o que o financeiro precisa no arquivo de faturas — data, valor, status — sem tela nova, de um jeito que o analista recuse se faltar coluna” produz um texto que entra na semana.
O que fazer amanhã
Abra o último chat. Pegue a frase que você mandou. Reescreva em quatro linhas:
- Objetivo
- Contexto
- Fora de escopo
- Como vou saber que prestou
Rode duas vezes. Se as respostas divergirem no que importa — prazo, tom, o que você promete — o critério ainda está frouxo. Aperte isso antes de colecionar técnicas.
Se o texto for para cliente, acrescente uma quinta linha: o que a ferramenta deve recusar. “Não sei a data” é uma resposta válida. Uma ferramenta educada que nunca recusa é um risco.
O que evitar
Não comece com “aja como um especialista” e pare aí. Cargo sem objetivo, contexto, restrição e critério é fantasia. A ferramenta já leu muito texto. O que ela não tem é o que você não pode prometer.
Não peça só “seja conciso”. Conciso demais esconde a ressalva que o comercial precisava. Diga o tamanho e o que não pode faltar.
Não misture três trabalhos numa frase: classificar a mensagem, escrever a resposta e sugerir o próximo passo. Separe. Um prompt, um serviço.
Não trate o primeiro resultado como pronto. O primeiro resultado é rascunho. Compare com o critério, não com a impressão de que “soou bem”.
Não copie um prompt famoso da internet para falar com o seu cliente. O famoso foi escrito para outro objetivo e outro risco. A ordem de serviço é sua.
Prompt para copiar
Use amanhã
Objetivo: responder a Ana sobre o atraso da entrega.
Contexto: combinamos 10 de agosto. Hoje é 18. A peça ainda está com o fornecedor. Ana é cliente antiga e já cobrou uma vez.
Fora de escopo: não invente nova data. Não ofereça desconto. Não peça desculpas em nome de outra pessoa.
Formato: até cinco linhas, tom direto.
Sucesso: o comercial consegue enviar sem te perguntar o que você quis dizer.